Cidade contraste. Tudo é dicotomia aqui. Os arranhas céus de concreto colados as rochas úmidas. As favelas e os bairros nobres. A suntuosidade das construções antigas e o pragmatismo dos prédios contemporâneos. O barulho frenético do trânsito e o barulhinho bom das ondas do mar. Caótica desigualdade, cheiro de mato e de esgoto. Tudo misturado gerando confusão nos 5 sentidos. Tudo tão longe, distâncias homéricas na horizontal e na vertical. Avião, trem, metrô, barcas, ônibus trafegam incansavelmente.
Eu ainda não conheço nada desta cidade que parece mesmo um eterno e caótico janeiro para quem veio daquele frio lá do sul.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
As mãos de meu pai
As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuissobre um fundo de manchas já de cor de terra- como são belas as tuas mãospelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram danobre cólera dos justosPorque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida.E, ao entardecer, quando elas repousam nos braçosda tua cadeira predileta,uma luz parece vir de dentro delas...Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,vieste alimentando na terrível solidão do mundo,como quem junta uns gravetos e tenta acendê-loscontra o vento?Ah! Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre dastuas mãos!E é, ainda, a vida que transfigura das tuas mãos nodosas...essa chama de vida – que transcende a própria vida...e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.
Mario Quintana
PAI
Assim, de uma hora para outra, tão de repente, você se foi!
Por que assim, tão de repente, de uma hora para outra, tragicamente, você se foi?
Fica esta falta, este lamento de não poder olhar uma vez ainda para imensidão azul dos olhos teus.
Fica o consolo do teu exemplo de fé e luta, leão guerreiro.
Fica o exemplo de tua coragem, do teu excesso de generosidade, da tua insubstituível, solidariedade.
Fica, sobretudo, esta saudade, esta vontade de crer que um dia ainda vamos nos reencontrar.
Por que assim, tão de repente, de uma hora para outra, tragicamente, você se foi?
Fica esta falta, este lamento de não poder olhar uma vez ainda para imensidão azul dos olhos teus.
Fica o consolo do teu exemplo de fé e luta, leão guerreiro.
Fica o exemplo de tua coragem, do teu excesso de generosidade, da tua insubstituível, solidariedade.
Fica, sobretudo, esta saudade, esta vontade de crer que um dia ainda vamos nos reencontrar.
terça-feira, 7 de abril de 2009
"Quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguém"
Vi um filme chamado "Vivendo e Aprendendo". O filme é previsível e bonito, mas uma cena em particular ficou gravada na retina da minha memória. Há um encontro entre o viúvo solitário e a médica (que fora sua ex-aluna, mas ele não lembrava dela assim como nunca sabia o nome dos seus alunos). Ele a convidou para jantar. Sentados na mesa do restaurante, ele fala por 45 minutos. DELE, apenas dele e do seu mundo. Ela conta o tempo no relógio. E, quando ela já não aguenta mais a situação, questiona: você sabe quem eu sou, quem são meus pais, de onde venho? Levanta e sai. Ele fica lá com cara de bobo.
Quantas vezes, as pessoas ficam num monólogo sem fim sobre si mesmo: EU EU EU EU... eu faço, eu sou, eu sei , eu fiz, pronome pessoal e possessivo em primeira pessoa; o meu EU e o MEU MUNDO, os MEUS problemas... e a troca não se estabelece. Quantas vezes, por puro egoísmo e egocentrismo alugamos os ouvidos das pessoas com os nossos problemas e quando as pessoas falam delas, ouvimos e deletamos porque afinal de contas não é nada fácil para quem é ou está egocêntrico se colocar no lugar do outro, percebê-lo.
"quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguém". Por que é tão difícil para algumas pessoas sairem de dentro de si? Talvez pelo medo de que não sobre mais nada, pelo receio da impotência de perceber que as outras pessoas podem ter problemas bem maiores do que os seus? Não sei a resposta. Cada um deve encontrar a sua para aprender a respeitar. Respeitar a si e aos outros. E respeito a si próprio é também saber dizer não ao descaso dos outros. Saber que tem coisas que a gente não merece e, portanto, não devemos ser condecendentes demais.
A palavra respeito vem do «lat[im] respectus,ūs, "ação de olhar para trás; consideração, respeito, atenção, conta; asilo, acolhida, refúgio"; f[orma] hist[órica] sXIV respeyto, sXV respeito, sXV rrespecto» (Dicionário Eletrônico Houaiss). Respeito quer dizer, entre outras coisas, «ato ou efeito de respeitar(-se)»; «sentimento que leva alguém a tratar outrem ou alguma coisa com grande atenção, profunda deferência; consideração, reverência»; e «estima ou consideração que se demonstra por alguém ou algo».
Considerar ou estimar alguém é colocar-se no lugar do outro, olhar e ver o outro, percebê-lo e acolhê-lo. E acolher é dar asilo ou possibilitar o refúgio quando este se faz necessário.
Respeito não é promessa, é compromisso ético. Escolha e decisão firmemente implemetada.
Bom, por hoje é só porque "quem fala demais é porque não tem nada a dizer." (Renato Russo)
Ps. obrigada aos que sabem ouvir e trocar. E aos que não sabem: sempre há tempo de aprender.
Vivendo e Aprendendo
Elenco: Sarah Jessica Parker, Dennis Quaid, Thomas Haden Church, Ellen Page, Ashton Holmes.
Direção: Noam Murro
Gênero: Comédia
Duração: --- min.
Distribuidora: Warner Filmes
Estreia: Direto em DVD - Novembro 2008
Sinopse: O filme retrata a relação do professor de inglês viúvo Lawrence Wetherhold (Dennis Quaid) com seus filhos: James (Ashton Holmes) e Vanessa (Ellen Page) Wetherhold. Lawrence, inconformado com a morte de sua esposa, se torna uma pessoa depressiva e amarga, mas encontra em Janet (Sarah Jessica Parker) a possibilidade de um novo amor….
Quantas vezes, as pessoas ficam num monólogo sem fim sobre si mesmo: EU EU EU EU... eu faço, eu sou, eu sei , eu fiz, pronome pessoal e possessivo em primeira pessoa; o meu EU e o MEU MUNDO, os MEUS problemas... e a troca não se estabelece. Quantas vezes, por puro egoísmo e egocentrismo alugamos os ouvidos das pessoas com os nossos problemas e quando as pessoas falam delas, ouvimos e deletamos porque afinal de contas não é nada fácil para quem é ou está egocêntrico se colocar no lugar do outro, percebê-lo.
"quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguém". Por que é tão difícil para algumas pessoas sairem de dentro de si? Talvez pelo medo de que não sobre mais nada, pelo receio da impotência de perceber que as outras pessoas podem ter problemas bem maiores do que os seus? Não sei a resposta. Cada um deve encontrar a sua para aprender a respeitar. Respeitar a si e aos outros. E respeito a si próprio é também saber dizer não ao descaso dos outros. Saber que tem coisas que a gente não merece e, portanto, não devemos ser condecendentes demais.
A palavra respeito vem do «lat[im] respectus,ūs, "ação de olhar para trás; consideração, respeito, atenção, conta; asilo, acolhida, refúgio"; f[orma] hist[órica] sXIV respeyto, sXV respeito, sXV rrespecto» (Dicionário Eletrônico Houaiss). Respeito quer dizer, entre outras coisas, «ato ou efeito de respeitar(-se)»; «sentimento que leva alguém a tratar outrem ou alguma coisa com grande atenção, profunda deferência; consideração, reverência»; e «estima ou consideração que se demonstra por alguém ou algo».
Considerar ou estimar alguém é colocar-se no lugar do outro, olhar e ver o outro, percebê-lo e acolhê-lo. E acolher é dar asilo ou possibilitar o refúgio quando este se faz necessário.
Respeito não é promessa, é compromisso ético. Escolha e decisão firmemente implemetada.
Bom, por hoje é só porque "quem fala demais é porque não tem nada a dizer." (Renato Russo)
Ps. obrigada aos que sabem ouvir e trocar. E aos que não sabem: sempre há tempo de aprender.
Vivendo e Aprendendo
Elenco: Sarah Jessica Parker, Dennis Quaid, Thomas Haden Church, Ellen Page, Ashton Holmes.
Direção: Noam Murro
Gênero: Comédia
Duração: --- min.
Distribuidora: Warner Filmes
Estreia: Direto em DVD - Novembro 2008
Sinopse: O filme retrata a relação do professor de inglês viúvo Lawrence Wetherhold (Dennis Quaid) com seus filhos: James (Ashton Holmes) e Vanessa (Ellen Page) Wetherhold. Lawrence, inconformado com a morte de sua esposa, se torna uma pessoa depressiva e amarga, mas encontra em Janet (Sarah Jessica Parker) a possibilidade de um novo amor….
domingo, 15 de fevereiro de 2009
não deixe o samba morrer
O samba tava animado
alguns pra lá de Bagdá
outros do lado de cá
Todo mundo sacudindo
De repente: um estampido.
Corre-corre, sai pra lá!
O samba teve que acabar.
Que palhaçada!
Que ser sem coração!
Quem foi o desnaturado
que acabou
com toda a diversão???
alguns pra lá de Bagdá
outros do lado de cá
Todo mundo sacudindo
De repente: um estampido.
Corre-corre, sai pra lá!
O samba teve que acabar.
Que palhaçada!
Que ser sem coração!
Quem foi o desnaturado
que acabou
com toda a diversão???
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
leitoras de cartas

O que estaria escrito na carta que ela está lendo?
Quem a enviou?
Um amor ausente, distante?
Um familiar?
Serão notícias ou expressão de sentimentos?
A leitora de Veermer está em pé, a de Matisse, sentada.
Me parece que aquela lê pela primeira vez e essa última, relê e relê. Talvez porque queira perpetuar o momento.
Paixões
Mulher de azul, lendo uma carta (1664)Johannes Vermeer

Há duas paixões que me constituem e sem elas eu não seria eu: música e letra. Parece nome de filme comercial americano, mas se trata de algo visceral como só as paixões conseguem ser.
A vida sem música seria um erro, escrevera Nietzsche. Sim, um erro crasso. Desde que me lembro por gente, adoro música, decoro letras e para cada situação, me ocorre uma canção. Minha vida é toda feita de trilhas sonoras. Amores, dores, alegrias, descobertas, surpresas, acasos, vivências, amigos, minha filha, livros, guerras, paz, chuva, sol, despedida, dialética... tudo que vejo e vivo, ilustro com canções. Não minhas porque ainda não linkei a paixão pela música com a paixão pela escrita. Mas é algo que possivelmente aconteça naturalmente (nunca é igual se for bem natural se for de coração).
Escrevo, escrevo e escrevo sempre, em pedacinhos de papel, emails, cartas, bilhetes. Sempre adorei escrever cartas. Escrevia até para desconhecidos. Depois do e-mail, ainda arrisquei idas ao correio (aquela empresa brasileira, tão demodê).
Raríssimo hoje receber carta com envelope e tudo. Tão raro que, quando isso acontece, chega a ser um evento.
E eis que no sábado, distraída estava eu, quando o vizinho vem me entregar um envelope, cheio de haicais adesivados. Que alegria!!! A amiga que mora longe viajou ao Peru e, querendo compartilhar conosco um pouquinho do que vivenciou, enviou-nos uma cartinha e uns badulaques peruanos me encarregando de repassá-los aos amigos em comum.
Lembro-me que há dez anos atrás, quando esta mesma amiga foi morar lá no norte do MT, escrevíamos regularmente longas cartas divagando sobre a existência.
Algo que só poderia ilustrar, mais uma vez, com uma canção.
A vida sem música seria um erro, escrevera Nietzsche. Sim, um erro crasso. Desde que me lembro por gente, adoro música, decoro letras e para cada situação, me ocorre uma canção. Minha vida é toda feita de trilhas sonoras. Amores, dores, alegrias, descobertas, surpresas, acasos, vivências, amigos, minha filha, livros, guerras, paz, chuva, sol, despedida, dialética... tudo que vejo e vivo, ilustro com canções. Não minhas porque ainda não linkei a paixão pela música com a paixão pela escrita. Mas é algo que possivelmente aconteça naturalmente (nunca é igual se for bem natural se for de coração).
Escrevo, escrevo e escrevo sempre, em pedacinhos de papel, emails, cartas, bilhetes. Sempre adorei escrever cartas. Escrevia até para desconhecidos. Depois do e-mail, ainda arrisquei idas ao correio (aquela empresa brasileira, tão demodê).
Raríssimo hoje receber carta com envelope e tudo. Tão raro que, quando isso acontece, chega a ser um evento.
E eis que no sábado, distraída estava eu, quando o vizinho vem me entregar um envelope, cheio de haicais adesivados. Que alegria!!! A amiga que mora longe viajou ao Peru e, querendo compartilhar conosco um pouquinho do que vivenciou, enviou-nos uma cartinha e uns badulaques peruanos me encarregando de repassá-los aos amigos em comum.
Lembro-me que há dez anos atrás, quando esta mesma amiga foi morar lá no norte do MT, escrevíamos regularmente longas cartas divagando sobre a existência.
Algo que só poderia ilustrar, mais uma vez, com uma canção.
Ainda guardo velhas cartas numa velha caixa de sapato. Mas o que sempre é novo em mim é o entusiasmo em saber, ao contrário do que postulam alguns, existem paixões que não morrem. Paixões perenes são sonhos acalentados virando realidade. Esquecer destas paixões é matar o sonho.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
leveza
domingo, 21 de dezembro de 2008
Citação de Clarice
"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.Como eles admiravam estarem juntos!Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
Clarice Lispector
Clarice Lispector
Encontro com a sábia vovó

A sábia vovó veio me visitar. Eu fui em sua procura e ela correspondeu aos meus apelos. Cada vez que a encontro, transformo um pouco meu modo de ser. Ela é implacável, não perdoa minhas falhas, mas sempre orienta a direção mais adequada que devo tomar nos (des)caminhos da existência. Na primeira vez que a encontrei, quando a conheci, ela me alertou o quanto minha alimentação estava equivocada. Disse-me também que eu carecia ser mais leve, brincar mais e demonstrar mais meus sentimentos. Não foi fácil admitir o quanto eu era mesquinha e egoísta. Doeu muito. Revirei-me dentro de mim, senti meu corpo dolorido, massacrado pelas escolhas malfadadas. Havia tanta coisa trancada em meu ser e a vovó mandou colocar tudo pra fora.
Vovó faz um cházinho e um afago. E as máscaras vaõ caindo uma a uma, restando simplesmente a essência.
Neste nosso último encontro, vovó me parabenizou: você está lembrando do essencial, minha filha!
Lembrar do essencial é cuidar do que precisa ser cuidado:
1) colocar os pés na terra, afagar a terra e sentir-se parte dela, conectado com aquilo que nos constitui;
2) cuidar do fogo para que não se apague nem se alastre pelas folhas secas caídas no chão. Dançar com as labaredas e celebrar a dádiva da vida. Lembrar que o fogo aquece mas também queima. Fogo exige cautela;
3) deixar as águas fluirem e fluir com elas. A água purifica, hidrata, renova. O choro é correnteza das emoções que existem e precisam ser partilhadas. Chorar é discursar em silêncio;
4) ouvir o vento, sentir o vento. Sorver o ar, saborear o ar. respirar mais e suspirar menos;
5) dar um chega pra lá na ansiedade pois esta vilã do sossego nos tira o prumo, o sono, o bom da vida;
6) brincar como criança, porque ainda somos também crianças. Perceber que cada ser é único e especial. E amá-los sempre como se fosse a primeira e a vez derradeira.
&) E dar amor, e ter amor até não poder mais.
A vovó disse-me que preciso parar de fumar. Eu argumentei que o cigarro é talvez uma forma de eu estar sempre perto do fogo, já que eu amo o fogo. Mas ela não quis saber de minhas desculpas.
Obrigada, vovó!!! Inefável é minha gratidão!
Até a próxima, levo você sempre no coração, na carne, nas vísceras, na alma.
Obrigada por me lembrar deus.
Vovó faz um cházinho e um afago. E as máscaras vaõ caindo uma a uma, restando simplesmente a essência.
Neste nosso último encontro, vovó me parabenizou: você está lembrando do essencial, minha filha!
Lembrar do essencial é cuidar do que precisa ser cuidado:
1) colocar os pés na terra, afagar a terra e sentir-se parte dela, conectado com aquilo que nos constitui;
2) cuidar do fogo para que não se apague nem se alastre pelas folhas secas caídas no chão. Dançar com as labaredas e celebrar a dádiva da vida. Lembrar que o fogo aquece mas também queima. Fogo exige cautela;
3) deixar as águas fluirem e fluir com elas. A água purifica, hidrata, renova. O choro é correnteza das emoções que existem e precisam ser partilhadas. Chorar é discursar em silêncio;
4) ouvir o vento, sentir o vento. Sorver o ar, saborear o ar. respirar mais e suspirar menos;
5) dar um chega pra lá na ansiedade pois esta vilã do sossego nos tira o prumo, o sono, o bom da vida;
6) brincar como criança, porque ainda somos também crianças. Perceber que cada ser é único e especial. E amá-los sempre como se fosse a primeira e a vez derradeira.
&) E dar amor, e ter amor até não poder mais.
A vovó disse-me que preciso parar de fumar. Eu argumentei que o cigarro é talvez uma forma de eu estar sempre perto do fogo, já que eu amo o fogo. Mas ela não quis saber de minhas desculpas.
Obrigada, vovó!!! Inefável é minha gratidão!
Até a próxima, levo você sempre no coração, na carne, nas vísceras, na alma.
Obrigada por me lembrar deus.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Qual o sentido da vida?
O sentido da vida é simples, óbvio, tão óbvio que por vezes não o enchergamos, como quando estamos a procurar os óculos e eles estão na nossa cabeça:
O sentido da vida é viver!
Viver é fazer escolhas a todo momento.
Enquanto estivermos disponíveis e aptos a fazermos escolhas, estaremos vivendo.
Nem sempre as escolhas são as mais acertadas.
Toda decisão implica um luto pois abdicamos da possiblidade outra.
E, quanto ès escolhas erradas, que sirvam de aprendizado para não repetir os mesmos erros.
Ai, esta tendência humana, demasiado humana de repetirmos os mesmos erros!
Quem se entrega ao desânimo não tem mais energia para fazer escolhas, ou seja, não tem mais energia para viver. Aí tudo perde o sentido, a graça, a luz, as cores. E só resta o não viver. Não escolher também é uma escolha. Estamos condenados a liberdade da escolha, parafraseando a amiga que cita Sartre.
Penso nos usuários de crack: uma escolha desgraçada. Quando a droga vai deixando buracos negros no cérebro, já não se consegue mais escolher abandoná-la, por mais que se queira.
A vida segue um princípio dual: eros e Thanatos, gladiadores inconscientes.Ou os dois cachorros do ditado indígena, sempre a duelar. Cabe a nós a escolha: quem vamos alimentar para que fique forte e vença esta briga.
O sentido da vida é viver!
Viver é fazer escolhas a todo momento.
Enquanto estivermos disponíveis e aptos a fazermos escolhas, estaremos vivendo.
Nem sempre as escolhas são as mais acertadas.
Toda decisão implica um luto pois abdicamos da possiblidade outra.
E, quanto ès escolhas erradas, que sirvam de aprendizado para não repetir os mesmos erros.
Ai, esta tendência humana, demasiado humana de repetirmos os mesmos erros!
Quem se entrega ao desânimo não tem mais energia para fazer escolhas, ou seja, não tem mais energia para viver. Aí tudo perde o sentido, a graça, a luz, as cores. E só resta o não viver. Não escolher também é uma escolha. Estamos condenados a liberdade da escolha, parafraseando a amiga que cita Sartre.
Penso nos usuários de crack: uma escolha desgraçada. Quando a droga vai deixando buracos negros no cérebro, já não se consegue mais escolher abandoná-la, por mais que se queira.
A vida segue um princípio dual: eros e Thanatos, gladiadores inconscientes.Ou os dois cachorros do ditado indígena, sempre a duelar. Cabe a nós a escolha: quem vamos alimentar para que fique forte e vença esta briga.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Circo dos horrores
Pollock:

Respeitável público:
Bem-vindos ao circo dos horrores!
Apresentamos:
- Palhaços debochados, zombeteiros do bom-senso, zunem qual "As Moscas" sartreanas nos ouvidos das pessoas de bem.
- Malabaristas estapafúrdicos levam finanças até o fim do mês.
- um paquiderme gigante, passivo, porém passional, carrega nas costas os fardos do mundo, mas ele é invisível.
- Na corda bamba, todos estão com a faca no pescoço, enquanto a fera, indomada e faminta, espreita do lado de fora da jaula.
Bem-vindos ao circo dos horrores!
Apresentamos:
- Palhaços debochados, zombeteiros do bom-senso, zunem qual "As Moscas" sartreanas nos ouvidos das pessoas de bem.
- Malabaristas estapafúrdicos levam finanças até o fim do mês.
- um paquiderme gigante, passivo, porém passional, carrega nas costas os fardos do mundo, mas ele é invisível.
- Na corda bamba, todos estão com a faca no pescoço, enquanto a fera, indomada e faminta, espreita do lado de fora da jaula.
sábado, 15 de novembro de 2008
Lamentável
Eu ouvi de um vizinho:
"que coisa horrível estas árvores fazendo sujeira na rua! Quem precisa de árvore é índio. Deixem as árvores lá para a Amazônia."
Lamentável, mas há pessoas que pensam assim mesmo, que árvores são sinônimos de sujeira.
Eu ainda tentei argumentar: o calor, o ar, mas não adiantou!
Tem gente que não merece argumentos.
"que coisa horrível estas árvores fazendo sujeira na rua! Quem precisa de árvore é índio. Deixem as árvores lá para a Amazônia."
Lamentável, mas há pessoas que pensam assim mesmo, que árvores são sinônimos de sujeira.
Eu ainda tentei argumentar: o calor, o ar, mas não adiantou!
Tem gente que não merece argumentos.
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