O filme "Preciosa" não se enquadra no gênero "baseado numa história real" tão em voga nos últimos tempos.Preciosa é uma jovem adolescente negra, obesa, violada, pobre...
É uma ficção baseada numa ficção. No entanto, espelha a vida e a alma de muitas e muitas jovens reais que tiveram suas infâncias torturadas pelo abuso sexual.
É duro saber que isso é real, que existem tantas meninas-mulheres subjugadas, violentadas por aqueles que deveriam amá-las. Ou poderiam amá-las. Onde falta amor, sobra violência.
É um círculo vicioso: pais abusadores, filhos abusados, adultos marcados, violência multiplicada.
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Vale da Utopia
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Saudosa Senzala
Saudosa Senzala -
Diana Corso - psicanalista e escritora
O Brasil mudou muito nesses últimos anos, e nem todos prestamos atenção ou nos demos conta, para bem ou para mal não somos os mesmos.
...
Especialmente as classes C e D são as novas protagonistas num país que não estava acostumado com isso, agora elas compram, estão mais visíveis. Pequenos detalhes, como ter um telefone que era caro e difícil, hoje é barato e banal, estão acessíveis a geladeira nova, a TV maior, o trânsito está entupido por novos carros. Prestações e carnês enchem as lojas e esvaziam as prateleiras.
...
Entre os irritados com a conjuntura atual, encontram-se alguns economistas que, em seus termos misteriosos, fazem previsões de que pagaremos caro pelos dias de fartura. Sei lá, sou ignorante de suas sabedorias.
...
Mas há outro tipo de gente incomodada com a situação atual, e esses, sim, me exasperam: são os viúvos do sistema de castas, que tinham um sem-número de pobres à mercê de suas roupas velhas, pequenas esmolas e favores de senhor da casa-grande. Essa senzala invisível está sendo erradicada do coração dos mais humildes, mas sobrevive na memória recente dos mais abastados e não é fácil abrir mão dela.
...
A diferença social fazia de qualquer remediado de classe média um senhor feudal, sua vida era mais admirável, seus bens mais reluzentes, seus filhos mais promissores. Hoje, o filho de uma empregada doméstica pode disputar vaga na universidade federal com o da patroa que estudou em escolas caras, graças ao sistema de cotas, o que enche esta última de indignação, e ambas podem ter o mesmo modelo de celular.
...
Mesmo entre os intelectuais, uma miséria digna e consciente lhes parece mais atraente do que essas novas hordas de entusiastas consumidores, de quem lamentam a banalidade de horizontes.
...
Um ser humano se torna o que é porque outro lhe faz espelho, contraponto. A miséria de uns auxilia a que a imagem de outros pareça mais faustosa, são papéis que se complementam. Melhores índices de qualidade de vida em um país, portanto, não têm motivo para agradar a todos, mesmo que seja por motivos inconfessáveis, inconscientes.
...
Estamos muito longe da igualdade social com que sempre sonhei, mas esse novo quadro, aliado ao fato de que os candidatos mais importantes neste pleito são oriundos das fileiras da luta contra a ditadura, me deixa de bom humor. Gosto de ver a política viva, embora ela costume aparecer apenas trajada de escândalos, prefiro-a paramentada de promessas.
Além disso, nunca esqueço que as eleições diretas foram uma árdua conquista, por isso, elas ainda me produzem certa emoção, simplesmente por existirem.
Artigo de Diana Corso, Publicado em 29/09/2010 na pagina 2 da Zero Hora
Diana Corso - psicanalista e escritora
O Brasil mudou muito nesses últimos anos, e nem todos prestamos atenção ou nos demos conta, para bem ou para mal não somos os mesmos.
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Especialmente as classes C e D são as novas protagonistas num país que não estava acostumado com isso, agora elas compram, estão mais visíveis. Pequenos detalhes, como ter um telefone que era caro e difícil, hoje é barato e banal, estão acessíveis a geladeira nova, a TV maior, o trânsito está entupido por novos carros. Prestações e carnês enchem as lojas e esvaziam as prateleiras.
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Entre os irritados com a conjuntura atual, encontram-se alguns economistas que, em seus termos misteriosos, fazem previsões de que pagaremos caro pelos dias de fartura. Sei lá, sou ignorante de suas sabedorias.
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Mas há outro tipo de gente incomodada com a situação atual, e esses, sim, me exasperam: são os viúvos do sistema de castas, que tinham um sem-número de pobres à mercê de suas roupas velhas, pequenas esmolas e favores de senhor da casa-grande. Essa senzala invisível está sendo erradicada do coração dos mais humildes, mas sobrevive na memória recente dos mais abastados e não é fácil abrir mão dela.
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A diferença social fazia de qualquer remediado de classe média um senhor feudal, sua vida era mais admirável, seus bens mais reluzentes, seus filhos mais promissores. Hoje, o filho de uma empregada doméstica pode disputar vaga na universidade federal com o da patroa que estudou em escolas caras, graças ao sistema de cotas, o que enche esta última de indignação, e ambas podem ter o mesmo modelo de celular.
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Mesmo entre os intelectuais, uma miséria digna e consciente lhes parece mais atraente do que essas novas hordas de entusiastas consumidores, de quem lamentam a banalidade de horizontes.
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Um ser humano se torna o que é porque outro lhe faz espelho, contraponto. A miséria de uns auxilia a que a imagem de outros pareça mais faustosa, são papéis que se complementam. Melhores índices de qualidade de vida em um país, portanto, não têm motivo para agradar a todos, mesmo que seja por motivos inconfessáveis, inconscientes.
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Estamos muito longe da igualdade social com que sempre sonhei, mas esse novo quadro, aliado ao fato de que os candidatos mais importantes neste pleito são oriundos das fileiras da luta contra a ditadura, me deixa de bom humor. Gosto de ver a política viva, embora ela costume aparecer apenas trajada de escândalos, prefiro-a paramentada de promessas.
Além disso, nunca esqueço que as eleições diretas foram uma árdua conquista, por isso, elas ainda me produzem certa emoção, simplesmente por existirem.
Artigo de Diana Corso, Publicado em 29/09/2010 na pagina 2 da Zero Hora
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Aforismo - parafraseando Camus
As noites de setembro tem "perfume de águas e de estrelas", cujos caminhos aromáticos entre as árvores de pitanga e laranjeira são "sinais de amor para quem é forçado a ser só".
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
o que há de fundamental em mim
"Quando procuro o que há de fundamental em mim, é o gosto da felicidade que eu encontro."Albert Camus
admito que erro, acerto o passo: sou capaz!!!
O que há de fundamental em mim
é o que me faz ser eu mesma:
única, singular, inigualável.
Neste sofrimento de ser eu
encontro a alegria da minha verdade,
às vezes esquecida, outras sufocadas.
Produto de sonho, desejo e coragem,
sou desvelamento em atitude, contradição,
paradoxo e construção.
E não tenho medo, vergonha de voltar atrás.admito que erro, acerto o passo: sou capaz!!!
O Rebelde
As pessoas têm muito medo daqueles que conhecem a si mesmos. Estes têm um certo poder, uma certa aura e um certo magnetismo, um carisma capaz de libertar os jovens, ainda cheios de vida, do aprisionamento tradicional...
O homem iluminado não pode ser escravizado -- este é o problema -- e não pode ser feito prisioneiro... Todo gênio que tenha conhecido um pouco do seu íntimo está fadado a ser um pouco difícil de ser absorvido: ele deverá ser uma força perturbadora. As massas não querem ser perturbadas, ainda que se encontrem na miséria; estão na miséria, mas estão acostumadas com isso, e qualquer um que não seja um miserável parece um estranho.
O homem iluminado é o maior forasteiro do mundo; ele parece não pertencer a ninguém. Nenhuma organização consegue confiná-lo, nenhuma comunidade, nenhuma sociedade, nenhuma nação.
Osho The Zen Manifesto: Freedom from Oneself Chapter 9
Comentário:
A figura de poder e autoridade desta carta é, visivelmente, de alguém que é senhor do seu próprio destino. Em seu ombro, há uma representação do sol, e a tocha que ele segura na mão direita simboliza a luz da sua própria verdade, arduamente conquistada.
Rico ou pobre, o Rebelde é de fato um imperador, porque quebrou as correntes do condicionamento repressivo e das opiniões da sociedade. Ele deu forma a si mesmo abraçando todas as cores do arco-íris, aflorando das raízes obscuras e amorfas de seu passado inconsciente, e criando asas para voar para o céu. A sua própria maneira de ser é rebelde -- não porque esteja lutando contra alguém ou contra qualquer coisa, mas porque ele descobriu a sua própria natureza verdadeira e está determinado a viver de acordo com ela. A águia é o animal com o qual se afina espiritualmente, um mensageiro entre a terra e o céu.
O Rebelde nos desafia a ser suficientemente corajosos para assumir responsabilidade por quem somos, e para viver a nossa verdade.
O homem iluminado não pode ser escravizado -- este é o problema -- e não pode ser feito prisioneiro... Todo gênio que tenha conhecido um pouco do seu íntimo está fadado a ser um pouco difícil de ser absorvido: ele deverá ser uma força perturbadora. As massas não querem ser perturbadas, ainda que se encontrem na miséria; estão na miséria, mas estão acostumadas com isso, e qualquer um que não seja um miserável parece um estranho.
O homem iluminado é o maior forasteiro do mundo; ele parece não pertencer a ninguém. Nenhuma organização consegue confiná-lo, nenhuma comunidade, nenhuma sociedade, nenhuma nação.
Osho The Zen Manifesto: Freedom from Oneself Chapter 9
Comentário:
A figura de poder e autoridade desta carta é, visivelmente, de alguém que é senhor do seu próprio destino. Em seu ombro, há uma representação do sol, e a tocha que ele segura na mão direita simboliza a luz da sua própria verdade, arduamente conquistada.
Rico ou pobre, o Rebelde é de fato um imperador, porque quebrou as correntes do condicionamento repressivo e das opiniões da sociedade. Ele deu forma a si mesmo abraçando todas as cores do arco-íris, aflorando das raízes obscuras e amorfas de seu passado inconsciente, e criando asas para voar para o céu. A sua própria maneira de ser é rebelde -- não porque esteja lutando contra alguém ou contra qualquer coisa, mas porque ele descobriu a sua própria natureza verdadeira e está determinado a viver de acordo com ela. A águia é o animal com o qual se afina espiritualmente, um mensageiro entre a terra e o céu.
O Rebelde nos desafia a ser suficientemente corajosos para assumir responsabilidade por quem somos, e para viver a nossa verdade.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Cinema
Os meus critérios para gostar ou não de um filme não são muito exigentes. Em geral, é preciso não ter como principal atributo o tripé "velocidade, tiros e explosões". Eu jamais ficaria na frente da TV para assistir Velozes e Furiosos.
Embora saiba que a narração está em franco declínio, junto com a decadência da experiência (BENJAMIN), gosto de histórias que possam ser contadas, que sirvam de lição, como um provérbio, um conto , uma parábola. O cinema é uma arte tão vasta, com tantas possibilidades e me encanta esta faceta da possibilidade da narrativa, de contar histórias para milhões de pessoas, Uma história que comova, sensibilize, indigne, que traga um tempo de beleza para a vida, um espaço de diversão aliada a reflexão.
Sei também que a indústria cultural exerce um fascínio anestesiante sobre as massas, desprovidas de crítica, simplesmente funcionando na lógica do mercado. Mesmo assim, me rendo as histórias que contam histórias, que marcam como metáfora. Que expressam algo que marca, de alguma forma, como insígnia de um tempo de nossas vidas, um aprendizado que levamos até os dias finais. Cito o antigo e inesquecível: "A Excêntrica família de Antônia" (1995) e o musical: "The Wall". Recentemente: "A vida secreta das palavras", "O segredo dos seus olhos".
Embora saiba que a narração está em franco declínio, junto com a decadência da experiência (BENJAMIN), gosto de histórias que possam ser contadas, que sirvam de lição, como um provérbio, um conto , uma parábola. O cinema é uma arte tão vasta, com tantas possibilidades e me encanta esta faceta da possibilidade da narrativa, de contar histórias para milhões de pessoas, Uma história que comova, sensibilize, indigne, que traga um tempo de beleza para a vida, um espaço de diversão aliada a reflexão.
Sei também que a indústria cultural exerce um fascínio anestesiante sobre as massas, desprovidas de crítica, simplesmente funcionando na lógica do mercado. Mesmo assim, me rendo as histórias que contam histórias, que marcam como metáfora. Que expressam algo que marca, de alguma forma, como insígnia de um tempo de nossas vidas, um aprendizado que levamos até os dias finais. Cito o antigo e inesquecível: "A Excêntrica família de Antônia" (1995) e o musical: "The Wall". Recentemente: "A vida secreta das palavras", "O segredo dos seus olhos".
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
A Vida Secreta das Abelhas
"Ó abelha rainha faz de mim
Um instrumento de teu prazer
Sim, e de tua glória"
Houaiss: design. comum aos insetos himenópteros, cosmopolitas, da superfam. dos apoídeos, com milhares de spp. solitárias, sociais ou parasitas, que se distinguem das vespas por apresentarem pelos, esp. no tórax, ramificados e plumosos [Desempenham papel importante na polinização de muitas spp. de plantas.]
Um instrumento de teu prazer
Sim, e de tua glória"
Houaiss: design. comum aos insetos himenópteros, cosmopolitas, da superfam. dos apoídeos, com milhares de spp. solitárias, sociais ou parasitas, que se distinguem das vespas por apresentarem pelos, esp. no tórax, ramificados e plumosos [Desempenham papel importante na polinização de muitas spp. de plantas.]
domingo, 22 de agosto de 2010
Explosão no Parque da Redenção
Domingo de sol em Porto Alegre, tempo abafado anunciando uma chuva que a oficial previsão do tempo não confirmou. Parece que muita gente resolveu ir ao parque curtir o dia de folga, borboletear pelo domingo entre pipocas, balões, bandeiras dos candidatos, crianças, cachorrinhos...
Estávamos caminhando, as crianças na pracinha sob o olhar cuidadoso da amiga. De repente, uma explosão, chamas, gritos, labaredas, pessoas caídas no chão. O meu pensamento trágico ja conclui apressadamente tratar-se de uma bomba! Quem sabe algum maluco resolveu dar cabo a este sistema hipócrita num raio de 10 m.
Na verdade, o botijão de gás da barraquinha de churros é que foi pro espaço, machucando algumas pessoas que por ali passavam, que estavam sentadas no banco, que estavam na fila de churros no domingo ensolarado. Seguiu-se uma grande movimentação: bombeiros, ambulâncias, políciais. Curiosos se amontoavama enquanto os feridos, dentre os quais crianças, muito assustadas, choravam deitadas no chão.
Outras pessoas iam embora, indignadas, com caras de "poderia ter sido comigo".
Sim, podeira ter sido com qualquer um de nós que por ali passamos.
E o domingo se vai, nublado, deixando rastros de cinza pelo chão do parque.
Tivemos sorte, desta vez não foi conosco. Viver e sair ileso das pequenas tragédias de todos os dias é ralmente algo par comemorar.
Mas acidentes sempre poderiam ser evitados: de quem é a responsabilidade?
Estávamos caminhando, as crianças na pracinha sob o olhar cuidadoso da amiga. De repente, uma explosão, chamas, gritos, labaredas, pessoas caídas no chão. O meu pensamento trágico ja conclui apressadamente tratar-se de uma bomba! Quem sabe algum maluco resolveu dar cabo a este sistema hipócrita num raio de 10 m.
Na verdade, o botijão de gás da barraquinha de churros é que foi pro espaço, machucando algumas pessoas que por ali passavam, que estavam sentadas no banco, que estavam na fila de churros no domingo ensolarado. Seguiu-se uma grande movimentação: bombeiros, ambulâncias, políciais. Curiosos se amontoavama enquanto os feridos, dentre os quais crianças, muito assustadas, choravam deitadas no chão.
Outras pessoas iam embora, indignadas, com caras de "poderia ter sido comigo".
Sim, podeira ter sido com qualquer um de nós que por ali passamos.
E o domingo se vai, nublado, deixando rastros de cinza pelo chão do parque.
Tivemos sorte, desta vez não foi conosco. Viver e sair ileso das pequenas tragédias de todos os dias é ralmente algo par comemorar.
Mas acidentes sempre poderiam ser evitados: de quem é a responsabilidade?
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
beija-flor
Acabo de ler no blog da amiga (e refletir junto com ela) que o melhor é pássaro voando, lugar de pássaro não é na mão.
Isso me lembra uma reportagem na TV sobre um pacato cidadão lá da fronteira do Brasil com Argentina, numa cidadezinha dessas onde o tempo parece parado, que tinha a sua volta dezenas de beija-flores. Todos os dias, ele senta na frente de sua casa, com a cuia na mão, e admira o bailar dos pássaros.
Também pudera, o cara viciou os pobres bichinhos em açucar! Para seu bel prazer e seus trinta segundos de fama!!
Beija flor tem que saborear flor e não açucar branco, refinado e industrializado. Se faz mal pra gente, imagina para as avezinhas!!
´
ps.: se não me engano, é do filme "Perfume de Mulher" a frase: "quer acabar com teu inimigo, dê bastante açucar para ele".
Isso me lembra uma reportagem na TV sobre um pacato cidadão lá da fronteira do Brasil com Argentina, numa cidadezinha dessas onde o tempo parece parado, que tinha a sua volta dezenas de beija-flores. Todos os dias, ele senta na frente de sua casa, com a cuia na mão, e admira o bailar dos pássaros.
Também pudera, o cara viciou os pobres bichinhos em açucar! Para seu bel prazer e seus trinta segundos de fama!!
Beija flor tem que saborear flor e não açucar branco, refinado e industrializado. Se faz mal pra gente, imagina para as avezinhas!!
´
ps.: se não me engano, é do filme "Perfume de Mulher" a frase: "quer acabar com teu inimigo, dê bastante açucar para ele".
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
O semeador de estrelas
Justus? O retrato de uma época está na cara dos ídolos dos jovens.
O retrato de uma época está na cara dos ídolos dos jovens. A nossa época é incrivelmente genial. É preciso falar as coisas francamente e dar nome aos bois. O Brasil, como já se disse, afundou na decadência antes de ter chegado ao topo. Isso não é para qualquer país. Uma pesquisa publicada na revista Veja - que, como se sabe, é completamente cega - mostrou Roberto Justus à frente de Barack Obama e do presidente Lula na preferência da juventude brasileira pesquisada. Segundo uma senhora entrevistada pela Folha.com, ele é um modelo por ser bonito, bem-sucedido, rico e por ser casado com a filha da "garota de Ipanema". A culpa é do Tom e do Vinícius. Quem mandou encher a bola? Seria mais justo que o "tio" Justus fosse casado com a mãe da "garota de Ipanema".
É verdade que a pesquisa ouviu mais jovens da área de administração, o que só revela a riqueza do imaginário dos administradores. Em outra pesquisa, Justus já tinha aparecido à frente de Bernardinho, Luciano Huck, Nizan Guanaes, Caetano Veloso, Felipe Dylon e Fofão. Uau! Não tenho a menor ideia de quem seja Fofão, mas com um nome desses só pode ser uma sumidade. O Dylon, pelo que apurei, é um mauricinho que, tendo tudo na mão prematuramente, acabou internado numa clínica psiquiátrica para "repor potássio". Huhu! Um gênio. Pobre Caetano, reles artista, no meio de uma turma de feras dessas. Já o Luciano Huck é a imagem mais perfeita de uma cultura que se esqueceu de buscar a civilização. Estamos bem arrumados. Nossos jovens não admiram o talento, mas o sucesso, a fama, a visibilidade, a conta bancária.
A senhora entrevistada pela Folha.com para explicar a liderança de Justos saiu-se com esta pérola: "O Roberto representa a ambição de muito jovem universitário". Segundo ela, o apresentador "virou uma espécie de guru dessa geração de jovens". Quando Justus é o guru de uma geração, temos um fenômeno, um fato, um acontecimento. Vou confessar algo espetacular. Já fiz xixi junto com Justus num banheiro de Aeroporto. Lado a lado. Foi uma experiência transcendental, inesquecível, única. Em poucos segundos, pude avaliar a sua empatia. Cheguei a uma conclusão inapelável: Justus é pinto pequeno. No sentido figurado, claro. Perto de um Caetano Veloso. Se alguém queria entender a "sociedade do espetáculo", conceito criado por Guy Debord, aí está. Bem clarinho.
A "sociedade do espetáculo" é quando jovens universitários escolhem Roberto Justus como guru, preferindo-o a artistas como Caetano Veloso ou a políticos com Luiz Inácio e Barack Obama. A sociedade é espetacular quando Fofão, seja quem for, Luciano Huck e Felipe Dylon figuram como modelos para jovens matriculados no ensino superior. Só nos resta apelar para cima e clamar com o coração aos pinotes: Senhor, isso não é Justus. Perdão pelo trocadilho barato, mas, diante dessa dimensão, nada mais há a fazer. Quem nos protegerá desses jovens que amanhã nos administrarão? Essa é a geração "eu quero mais é me dar bem". Aí, galera, numa boa, tô fora, tá ligado. Fui. Vazei. Já era. Até mais.
JUREMIR MACHADO DA SILVA
domingo, 25 de julho de 2010
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