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Vale da Utopia
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
Mafaldices
A Mafalda já entendia e sentia a condição da urgente brevidade da moderna condição humana. A Mafalda faz análises perspicazes, mas é divertida e faz a gente rir, diferente do Bauman que até agora não apontou uma só perspectiva. Só crítica, análise, etc. talvez eu tenha esta tendência messiânica de acreditar que um outro mundo é mesmo possível. Aliás, não só possível como necessário.sábado, 12 de dezembro de 2009
Gracias a la Vida!!

"Quero ser feliz um pouco a cada dia" disse a sábia e sensível mulher que faz circular as coisas acumuladas nas casas atrolhadas das pessoas consumistas (ela é dona de um brechó, bem pertinho da minha casa, que a amiga vinda de Floripa me apresentou).
É isso aí: ser feliz a cada dia um pouquinho é bem melhor do que projetar uma grande felicidade no porvir. Saber ser feliz é se contentar com a flor que desabrochou, com a espontaneidade da criança, com o aroma do chá, com a visita das amigas, com o ano novo lá no mato, com a saudade que vamos sufocar de tanto abraço. Lembro disso e agradeço todos os dias por respirar, por estarem aqui os que amo, embora a ausência dos que já foram.
E, embora a saudade e o luto por meu pai, embora a desigualdade e injustiças que assolam, a política que oprime e as perspectivas escassas, embora "o pão seja caro e a liberdade pequena", gracias a la vida.
http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I
Mercedes Sosa - Gracias a La Vida
É isso aí: ser feliz a cada dia um pouquinho é bem melhor do que projetar uma grande felicidade no porvir. Saber ser feliz é se contentar com a flor que desabrochou, com a espontaneidade da criança, com o aroma do chá, com a visita das amigas, com o ano novo lá no mato, com a saudade que vamos sufocar de tanto abraço. Lembro disso e agradeço todos os dias por respirar, por estarem aqui os que amo, embora a ausência dos que já foram.
E, embora a saudade e o luto por meu pai, embora a desigualdade e injustiças que assolam, a política que oprime e as perspectivas escassas, embora "o pão seja caro e a liberdade pequena", gracias a la vida.
http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I
Mercedes Sosa - Gracias a La Vida
Hello, stranger!!

O filme "Closer – perto de mais", inicia com uma cena onde dois estranhos encontram-se em meio ao frenético passo da multidão. Hello, stranger - a primeira frase da bela Alice, personagem da atriz israelense Natalie Portman (foto acima). Por uma distração no encontro, a moça é atropelada. E o estranho a socorre.
O que acontece depois? Bauman (ele de novo), descreve o que acontece "quando estranhos se encontram" (é este mesmo o subtítulo):
Na clássica definição de Richard Sennett, uma cidade é “um assentamento humano em que estranhos tem a chance de se encontrar”. Isso significa que estranhos tem chance de se encontrar em sua condição de estranhos, saindo como estranhos do encontro casual que termina de maneira tão abrupta quando começou. Os estranhos se encontram numa maneira adequada a estranhos; um encontro de estranhos é diferente de encontros de parentes, amigos ou conhecidos – parece , por comparação, um “desencontro”. No encontro de estranhos não há uma retomada a partir do ponto em que o último encontro acabou, nem troca de informações sobre as tentativas, atribulações ou alegrias desse intervalo, em lembranças compartilhadas: nada em que se apoiar ou que sirva de guia para o presente encontro. O encontro de estranhos é um evento sem passado. Freqüentemente é também um evento sem futuro (o esperado é que não tenha futuro), uma história para “não ser continuada”, sem adiamento e sem deixar questões inacabadas para outra ocasião. Como a aranha cujo mundo inteiro está enfeixado na teia que ela tece a partir de seu próprio abdome, o único apoio com que estranhos que se encontram podem contar deverá ser tecido do fio fino e solto de sua aparência, palavras e gestos. No momento do encontro não há espaço para tentativa e erro, nem aprendizado a partir dos erros ou expectativa de outra oportunidade. (BAUMAN, Sigmunt. Modernidade Líquida. Tradução Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. Página 111.)
Nem sempre é assim! Seria o filme como um contraponto? Sim e Não.
Sim porque ali os estranhos se encontram e não porque também se desencontram. Sim porque se acham e não porque se perdem. Sim porque se aproximam e não porque se afastam. Sim porque se amam e não porque se ferem, magoam... Tudo isso ao som inicial e final de The Blower's Daughter (Damien Rice).
Eis a sinopse:
Escrito pelo dramaturgo Patrick Marber baseado na sua peça de teatro homônima, o filme encontra em seus quatro atores os tradutores ideais para os dramas criados pelo escritor. Dan (Jude Law, de Alfie) é um escritor de obituários que sonha em ser romancista e se apaixona pela misteriosa Alice (Natalie Portman, de Hora de Voltar). Meses depois ele se envolve com a fotógrafa Anna (Julia Roberts, de Doze Homens e Outro Segredo), e para pregar uma peça arma um encontro com ela e o médico Larry (Clive Owen, de Crupiê - A Vida em Jogo). Mas os dois acabam se apaixonando, para desespero de Dan. Em alguns anos, esse quarteto vai se encontrar, desencontrar, se apaixonar e desapaixonar, deixando marcas e feridas na vida de cada um deles.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Vida Líquida - Bauman
Em termos muito genéricos, ouso afirmar que vejo em Bauman uma continuação de Benjamin, mas sem o messianismo do "rabino marxista". Crítica sem a dimensão esperança da revolução-redenção é desespero. Eis o que apresenta está espécie de Adorno pop, de leitura e compreensão mais fácil ( e, portanto, de maiores vendas); é moda entre meio intelectuais meio de esquerdas que o citam em todas as áreas. Espécie de auto-ajuda às avessas.
Veja o link do primeiro capítulo:
http://www.livrariacultura.com.br/imagem/capitulo/1859036.pdf
Sinopse- Um compêndio dos efeitos que a atual estrutura social e econômica, com base no que é descartável e efêmero, gera na vida, seja no amor, nos relacionamentos profissionais e afetivos, na segurança pessoal e coletiva, no consumo material e espiritual, no conforto humano e no próprio sentido da existência. Em 'Vida líquida', Zygmunt Bauman volta ao tema da fluidez da existência contemporânea desenvolvido também em outras obras de sucesso do autor - como 'Amor líquido' e 'Modernidade líquida'. Segundo o sociólogo, a 'precificação' generalizada da vida social e a destruição criativa própria do capitalismo suscitam uma condição humana na qual predominam o desapego, a versatilidade em meio à incerteza e a vanguarda constante do eterno recomeço.
Sobre o autor:
BAUMAN, ZYGMUNT - sociólogo polonês, iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, onde ocupou a cátedra de sociologia geral. Em 1968 emigrou, reconstruindo sua carreira no Canadá, Estados Unidos, Austrália e Grã-Bretanha, onde em 1971 tornou-se professor titular de sociologia da Universidade de Leeds, cargo que ocupou por vinte anos.
Veja o link do primeiro capítulo:
http://www.livrariacultura.com.br/imagem/capitulo/1859036.pdf
Sinopse- Um compêndio dos efeitos que a atual estrutura social e econômica, com base no que é descartável e efêmero, gera na vida, seja no amor, nos relacionamentos profissionais e afetivos, na segurança pessoal e coletiva, no consumo material e espiritual, no conforto humano e no próprio sentido da existência. Em 'Vida líquida', Zygmunt Bauman volta ao tema da fluidez da existência contemporânea desenvolvido também em outras obras de sucesso do autor - como 'Amor líquido' e 'Modernidade líquida'. Segundo o sociólogo, a 'precificação' generalizada da vida social e a destruição criativa própria do capitalismo suscitam uma condição humana na qual predominam o desapego, a versatilidade em meio à incerteza e a vanguarda constante do eterno recomeço.
Sobre o autor:
BAUMAN, ZYGMUNT - sociólogo polonês, iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, onde ocupou a cátedra de sociologia geral. Em 1968 emigrou, reconstruindo sua carreira no Canadá, Estados Unidos, Austrália e Grã-Bretanha, onde em 1971 tornou-se professor titular de sociologia da Universidade de Leeds, cargo que ocupou por vinte anos.
Vivências pedagógicas - entre os cadernos de chamada e a vida
Escultura By M.R.
Fotos: by GiovanaGR. é de São Leopoldo e MR, de Porto Alegre. G é mulher, jovem, moradora da periferia, estudante do projovem trabalhador. M é homem, jovem adolescente, estudante do primeiro ano da escola pública. A distância que os separa não é geográfica e eles certamente tem quase nada em comum, a não ser o fato de terem a mesma professora. A professora que não vai esquecê-los.
G conta sua história, emociona-se ao dar-se conta de que hoje está tão bem, numa sala de aula, tem sua casa, seu companheiro, suas coisas. Conta que foi violentada, que viu cenas de violência a vida toda, que usou drogas, que morou na rua, que trabalhou no lixo. E no lixo encontrou tantas coisas jogadas fora que fizeram a alegria dela e da família, coisas úteis e belas, coisas singelas como a caixinha de música. Pergunto-lhe o que mais gostou de encontrar, disse que foi o poema que ela prometeu trazer e ler na próxima aula: "por que as mulheres choram?".
Estudamos direitos humanos e, principalmente, direito do trabalho. Ela se motivou a denunciar a exploração sofrida nos tempos da reciclagem. Conta-me, orgulhosa, que já foi marcada a audiência. Sente-se corajosa hoje e diz às vezes não acreditar que teve o passado que teve. Hoje ela é outra, ainda tem resquícios de tanta dor.
O M. é um talento múltiplo, várias habilidades que às vezes se escondem na sua postura de menino brincalhão. Talvez porque nossas aulas estão aquém de seu potencial e também porque ninguém é perfeito. A professora conheceu-o na sexta série e agora, passados alguns anos, em outra escola, o reencontrou. Poucas aulas teve com sua turma, mas ganhou o ano letivo com a belíssima exposição didática e compentente sobre a mitologia nórdica. Hoje a surpresa, frente a tanta mesmice na escola tradicional, a colega professora de artes propõe um gran finale: uma escultura comestível. A semana toda, enquanto todos nós corrigíamos provas e fechávamos os chatos cadernos de chamada, a professora de artes divertia-se com a galera. Alimento para os olhos e gula, a cada pouco alguem oferecia um doce em forma escultural. Hoje o M. chega com sua cabeça de zumbi, olhos de pirulito estalados, cabelos de fios de ovos, orelhas de biscoito... levanta a tampa da cabeça e eis que um cérebro de chocolate (feito com uma forma de abóbora) recheado com figos turcos e nozes... era um nogento cérebro esculpido com delícias. Ele e a mãe ficaram até as 5h da manhã preparando aquilo que em poucos minutos virou alegria de muitos. Professores largaram seus chatos cadernos de chamada e lambuzaram os dedos como crianças.
M., obrigada por tentar fazer perceber que o processo pedagógico não se resume a burocracia, mas que existem pessoas reais por trás dos números e papéis.
G., obrigada por lembrar que a educação faz sentido, que pode melhorar as vidas, esclarecer, promover mudanças.
Professora de Artes, obrigada por lembrar que existem inteligências múltiplas.
G. e M. - sua professora em comum observa seus distintos mundos, distância de geração, condição e classe social.
Ser professora é estar preparada para o imprevisível da mesma forma que estar preparada para o comum e para o possível?
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Los Abrazos Rotos



Abraços partidos,"vermelho Almodovar".
O exagero não se manifesta só na cor, mas nas melodramáticas histórias de dor, paixão, ciúme e vingança. E na trama que o filme tece fazendo de si seu próprio enredo. Quando estréia Almodovar no cinema, eu me mobilizo. Não há compromisso mais importante que o Guion Center, na Lima e Silva ( a propósito: salve salve o Guion pela programação, embora o preço não seja dos mais acessíveis).
Fico dias, meses, anos com as cenas, cores, histórias e as músicas na retina da memória.
Sinopse Há 14 anos, o cineasta Mateo Blanco (Lluís Homar) sofreu um trágico acidente de carro, no qual perdeu simultaneamente a visão e sua grande paixão, Lena (Penélope Cruz). Sofrendo aparentemente de perda de memória, abandonou sua posição de cineasta e preservou apenas seu lado de escritor, cujo pseudônimo é Harry Caine. Um dia Diego (Tamar Novas), filho de sua antiga e fiel diretora de produção, sofre um acidente, e Harry vai em seu socorro. Quando o jovem indaga Harry sobre seus dias de cineasta, o amargurado homem revela se lembrar de detalhes marcantes de sua vida e do acidente.
domingo, 6 de dezembro de 2009
reflexão
A liquidez dos tempos atuais,
evidenciada por Bauman,
escancarada pela brevidade
dos encontros fortuitos nas madrugadas,
revela a fluidez da realidade contemporânea?
evidenciada por Bauman,
escancarada pela brevidade
dos encontros fortuitos nas madrugadas,
revela a fluidez da realidade contemporânea?
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