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elementar - conjugação de terra, água, fogo e ar

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Vale da Utopia

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cinema

Os meus critérios para gostar ou não de um filme não são muito exigentes. Em geral, é preciso não ter como principal atributo o tripé "velocidade, tiros e explosões". Eu jamais ficaria na frente da TV para assistir Velozes e Furiosos.
Embora saiba que a narração está em franco declínio, junto com a decadência da experiência (BENJAMIN), gosto de histórias que possam ser contadas, que sirvam de lição, como um provérbio, um conto , uma parábola. O cinema é uma arte tão vasta, com tantas possibilidades e me encanta esta faceta da possibilidade da narrativa, de contar histórias para milhões de pessoas, Uma história que comova,  sensibilize, indigne, que traga um tempo de beleza para a vida, um espaço de diversão aliada a reflexão.
Sei também que a indústria cultural exerce um fascínio anestesiante sobre as massas, desprovidas de crítica, simplesmente funcionando na lógica do mercado. Mesmo assim, me rendo as histórias que contam histórias, que marcam como metáfora. Que expressam algo que marca, de alguma forma, como insígnia de um tempo de nossas vidas, um aprendizado que levamos até os dias finais. Cito o antigo e inesquecível: "A Excêntrica família de Antônia" (1995) e o musical: "The Wall". Recentemente: "A vida secreta das palavras",  "O segredo dos seus olhos".

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Vida Secreta das Abelhas

"Ó abelha rainha faz de mim


Um instrumento de teu prazer

Sim, e de tua glória"

Houaiss: design. comum aos insetos himenópteros, cosmopolitas, da superfam. dos apoídeos, com milhares de spp. solitárias, sociais ou parasitas, que se distinguem das vespas por apresentarem pelos, esp. no tórax, ramificados e plumosos [Desempenham papel importante na polinização de muitas spp. de plantas.]

domingo, 22 de agosto de 2010

Explosão no Parque da Redenção

Domingo de sol em Porto Alegre, tempo abafado anunciando uma chuva que a oficial previsão do tempo não confirmou. Parece que muita gente resolveu ir ao parque curtir o dia de folga, borboletear pelo domingo entre pipocas, balões, bandeiras dos candidatos, crianças, cachorrinhos...
Estávamos caminhando, as crianças na pracinha sob o olhar cuidadoso da amiga. De repente, uma explosão, chamas, gritos, labaredas, pessoas caídas no chão. O meu pensamento trágico ja conclui apressadamente tratar-se de uma bomba! Quem sabe algum maluco resolveu dar cabo a este sistema hipócrita num raio de 10 m.

Na verdade, o botijão de gás da barraquinha de churros é que foi pro espaço, machucando algumas pessoas que por ali passavam,  que estavam sentadas no banco, que estavam na fila de churros no domingo ensolarado. Seguiu-se uma grande movimentação: bombeiros, ambulâncias, políciais. Curiosos se amontoavama enquanto os feridos, dentre os quais crianças, muito assustadas, choravam deitadas no chão.
Outras pessoas iam embora, indignadas, com caras de "poderia ter sido comigo".
Sim, podeira ter sido com qualquer um de nós que por ali passamos.

E o domingo se vai, nublado, deixando rastros de cinza pelo chão do parque.

Tivemos sorte, desta vez não foi conosco. Viver e sair ileso das pequenas tragédias de todos os dias é ralmente algo par comemorar.
Mas acidentes sempre poderiam ser evitados: de quem é a responsabilidade?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

beija-flor

Acabo de ler no blog da amiga (e refletir junto com ela) que o melhor é pássaro voando, lugar de pássaro não é na mão.
Isso me lembra uma reportagem na TV sobre um pacato cidadão lá da fronteira do Brasil com Argentina, numa cidadezinha dessas onde o tempo parece parado, que tinha a sua volta dezenas de beija-flores. Todos os dias, ele senta na frente de sua casa, com a cuia na mão, e admira o bailar dos pássaros.

Também pudera, o cara viciou os pobres bichinhos em açucar! Para seu bel prazer e seus trinta segundos de fama!!

Beija flor tem que saborear flor e não açucar branco, refinado e industrializado. Se faz mal pra gente, imagina para as avezinhas!!
´
ps.: se não me engano, é do filme "Perfume de Mulher" a frase: "quer acabar com teu inimigo, dê bastante açucar para ele".

Borboletrando: Internacional

Borboletrando: Internacional

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O semeador de estrelas

Durante o dia,O Semeador de Estrelas é uma estátua localizada em Kaunas, Lituânia.


Durante o dia passa despercebida.

Justus? O retrato de uma época está na cara dos ídolos dos jovens.


O retrato de uma época está na cara dos ídolos dos jovens. A nossa época é incrivelmente genial. É preciso falar as coisas francamente e dar nome aos bois. O Brasil, como já se disse, afundou na decadência antes de ter chegado ao topo. Isso não é para qualquer país. Uma pesquisa publicada na revista Veja - que, como se sabe, é completamente cega - mostrou Roberto Justus à frente de Barack Obama e do presidente Lula na preferência da juventude brasileira pesquisada. Segundo uma senhora entrevistada pela Folha.com, ele é um modelo por ser bonito, bem-sucedido, rico e por ser casado com a filha da "garota de Ipanema". A culpa é do Tom e do Vinícius. Quem mandou encher a bola? Seria mais justo que o "tio" Justus fosse casado com a mãe da "garota de Ipanema".




É verdade que a pesquisa ouviu mais jovens da área de administração, o que só revela a riqueza do imaginário dos administradores. Em outra pesquisa, Justus já tinha aparecido à frente de Bernardinho, Luciano Huck, Nizan Guanaes, Caetano Veloso, Felipe Dylon e Fofão. Uau! Não tenho a menor ideia de quem seja Fofão, mas com um nome desses só pode ser uma sumidade. O Dylon, pelo que apurei, é um mauricinho que, tendo tudo na mão prematuramente, acabou internado numa clínica psiquiátrica para "repor potássio". Huhu! Um gênio. Pobre Caetano, reles artista, no meio de uma turma de feras dessas. Já o Luciano Huck é a imagem mais perfeita de uma cultura que se esqueceu de buscar a civilização. Estamos bem arrumados. Nossos jovens não admiram o talento, mas o sucesso, a fama, a visibilidade, a conta bancária.



A senhora entrevistada pela Folha.com para explicar a liderança de Justos saiu-se com esta pérola: "O Roberto representa a ambição de muito jovem universitário". Segundo ela, o apresentador "virou uma espécie de guru dessa geração de jovens". Quando Justus é o guru de uma geração, temos um fenômeno, um fato, um acontecimento. Vou confessar algo espetacular. Já fiz xixi junto com Justus num banheiro de Aeroporto. Lado a lado. Foi uma experiência transcendental, inesquecível, única. Em poucos segundos, pude avaliar a sua empatia. Cheguei a uma conclusão inapelável: Justus é pinto pequeno. No sentido figurado, claro. Perto de um Caetano Veloso. Se alguém queria entender a "sociedade do espetáculo", conceito criado por Guy Debord, aí está. Bem clarinho.



A "sociedade do espetáculo" é quando jovens universitários escolhem Roberto Justus como guru, preferindo-o a artistas como Caetano Veloso ou a políticos com Luiz Inácio e Barack Obama. A sociedade é espetacular quando Fofão, seja quem for, Luciano Huck e Felipe Dylon figuram como modelos para jovens matriculados no ensino superior. Só nos resta apelar para cima e clamar com o coração aos pinotes: Senhor, isso não é Justus. Perdão pelo trocadilho barato, mas, diante dessa dimensão, nada mais há a fazer. Quem nos protegerá desses jovens que amanhã nos administrarão? Essa é a geração "eu quero mais é me dar bem". Aí, galera, numa boa, tô fora, tá ligado. Fui. Vazei. Já era. Até mais.

JUREMIR MACHADO DA SILVA