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elementar - conjugação de terra, água, fogo e ar

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Vale da Utopia

quarta-feira, 27 de maio de 2009

As mãos de meu pai


As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuissobre um fundo de manchas já de cor de terra- como são belas as tuas mãospelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram danobre cólera dos justosPorque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida.E, ao entardecer, quando elas repousam nos braçosda tua cadeira predileta,uma luz parece vir de dentro delas...Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,vieste alimentando na terrível solidão do mundo,como quem junta uns gravetos e tenta acendê-loscontra o vento?Ah! Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre dastuas mãos!E é, ainda, a vida que transfigura das tuas mãos nodosas...essa chama de vida – que transcende a própria vida...e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

Mario Quintana

PAI

Assim, de uma hora para outra, tão de repente, você se foi!
Por que assim, tão de repente, de uma hora para outra, tragicamente, você se foi?

Fica esta falta, este lamento de não poder olhar uma vez ainda para imensidão azul dos olhos teus.

Fica o consolo do teu exemplo de fé e luta, leão guerreiro.
Fica o exemplo de tua coragem, do teu excesso de generosidade, da tua insubstituível, solidariedade.
Fica, sobretudo, esta saudade, esta vontade de crer que um dia ainda vamos nos reencontrar.