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elementar - conjugação de terra, água, fogo e ar

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Vale da Utopia

domingo, 15 de fevereiro de 2009

não deixe o samba morrer

O samba tava animado
alguns pra lá de Bagdá
outros do lado de cá
Todo mundo sacudindo
De repente: um estampido.
Corre-corre, sai pra lá!
O samba teve que acabar.
Que palhaçada!
Que ser sem coração!
Quem foi o desnaturado
que acabou
com toda a diversão???

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

leitoras de cartas




O que estaria escrito na carta que ela está lendo?

Quem a enviou?

Um amor ausente, distante?

Um familiar?

Serão notícias ou expressão de sentimentos?

A leitora de Veermer está em pé, a de Matisse, sentada.
Me parece que aquela lê pela primeira vez e essa última, relê e relê. Talvez porque queira perpetuar o momento.

Paixões

Mulher de azul, lendo uma carta (1664)
Johannes Vermeer


Há duas paixões que me constituem e sem elas eu não seria eu: música e letra. Parece nome de filme comercial americano, mas se trata de algo visceral como só as paixões conseguem ser.
A vida sem música seria um erro, escrevera Nietzsche. Sim, um erro crasso. Desde que me lembro por gente, adoro música, decoro letras e para cada situação, me ocorre uma canção. Minha vida é toda feita de trilhas sonoras. Amores, dores, alegrias, descobertas, surpresas, acasos, vivências, amigos, minha filha, livros, guerras, paz, chuva, sol, despedida, dialética... tudo que vejo e vivo, ilustro com canções. Não minhas porque ainda não linkei a paixão pela música com a paixão pela escrita. Mas é algo que possivelmente aconteça naturalmente (nunca é igual se for bem natural se for de coração, diz a canção do Milton).
Escrevo, escrevo e escrevo sempre, em pedacinhos de papel, emails, cartas, bilhetes, relatos de sonhos. Sempre adorei escrever cartas. Escrevia, confesso,até para desconhecidos:
Eu vivo escrevendo cartas
Que nunca vou mandar
Pra amores secretos
Revistas semanais
E deputados federais
(às vezes - Engenheiros do Hawai)
Depois do e-mail, ainda arrisquei idas ao correio (aquela empresa brasileira, tão demodê).
Raríssimo hoje receber carta com envelope e tudo. Tão raro que, quando isso acontece, chega a ser um evento.
E eis que no sábado, distraída estava eu, quando o vizinho vem me entregar um envelope, cheio de haicais adesivados. Que alegria!!! A amiga que mora longe viajou ao Peru e, querendo compartilhar conosco um pouquinho do que vivenciou, enviou-nos uma cartinha e uns badulaques peruanos me encarregando de repassá-los aos amigos em comum.
Lembro-me que há dez anos atrás, quando esta mesma amiga foi morar lá no norte do MT, escrevíamos regularmente longas cartas divagando sobre a existência.
Algo que só poderia ilustrar, mais uma vez, com uma canção.
Ainda guardo velhas cartas numa velha caixa de sapato. Mas o que sempre é novo em mim é o entusiasmo em saber, ao contrário do que postulam alguns, existem paixões que não morrem. Paixões perenes são sonhos acalentados virando realidade. Esquecer destas paixões é matar o sonho.