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elementar - conjugação de terra, água, fogo e ar

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Vale da Utopia

domingo, 21 de dezembro de 2008

Citação de Clarice


"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.Como eles admiravam estarem juntos!Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
Clarice Lispector

Encontro com a sábia vovó


A sábia vovó veio me visitar. Eu fui em sua procura e ela correspondeu aos meus apelos. Cada vez que a encontro, transformo um pouco meu modo de ser. Ela é implacável, não perdoa minhas falhas, mas sempre orienta a direção mais adequada que devo tomar nos (des)caminhos da existência. Na primeira vez que a encontrei, quando a conheci, ela me alertou o quanto minha alimentação estava equivocada. Disse-me também que eu carecia ser mais leve, brincar mais e demonstrar mais meus sentimentos. Não foi fácil admitir o quanto eu era mesquinha e egoísta. Doeu muito. Revirei-me dentro de mim, senti meu corpo dolorido, massacrado pelas escolhas malfadadas. Havia tanta coisa trancada em meu ser e a vovó mandou colocar tudo pra fora.
Vovó faz um cházinho e um afago. E as máscaras vaõ caindo uma a uma, restando simplesmente a essência.
Neste nosso último encontro, vovó me parabenizou: você está lembrando do essencial, minha filha!
Lembrar do essencial é cuidar do que precisa ser cuidado:
1) colocar os pés na terra, afagar a terra e sentir-se parte dela, conectado com aquilo que nos constitui;
2) cuidar do fogo para que não se apague nem se alastre pelas folhas secas caídas no chão. Dançar com as labaredas e celebrar a dádiva da vida. Lembrar que o fogo aquece mas também queima. Fogo exige cautela;
3) deixar as águas fluirem e fluir com elas. A água purifica, hidrata, renova. O choro é correnteza das emoções que existem e precisam ser partilhadas. Chorar é discursar em silêncio;
4) ouvir o vento, sentir o vento. Sorver o ar, saborear o ar. respirar mais e suspirar menos;
5) dar um chega pra lá na ansiedade pois esta vilã do sossego nos tira o prumo, o sono, o bom da vida;
6) brincar como criança, porque ainda somos também crianças. Perceber que cada ser é único e especial. E amá-los sempre como se fosse a primeira e a vez derradeira.
&) E dar amor, e ter amor até não poder mais.

A vovó disse-me que preciso parar de fumar. Eu argumentei que o cigarro é talvez uma forma de eu estar sempre perto do fogo, já que eu amo o fogo. Mas ela não quis saber de minhas desculpas.

Obrigada, vovó!!! Inefável é minha gratidão!
Até a próxima, levo você sempre no coração, na carne, na alma.
Obrigada por me lembrar deus.
(Frida Kahlo - O Abraço Amoroso entre o Universo, a Terra).

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Qual o sentido da vida?




O sentido da vida é simples, óbvio, tão óbvio que por vezes não o enchergamos, como quando estamos a procurar os óculos e eles estão na nossa cabeça:
O sentido da vida é viver!
Viver é fazer escolhas a todo momento.
Enquanto estivermos disponíveis e aptos a fazermos escolhas, estaremos vivendo.
Nem sempre as escolhas são as mais acertadas.
Toda decisão implica um luto pois abdicamos da possiblidade outra.
E, quanto ès escolhas erradas, que sirvam de aprendizado para não repetir os mesmos erros.
Ai, esta tendência humana, demasiado humana de repetirmos os mesmos erros!

Quem se entrega ao desânimo não tem mais energia para fazer escolhas, ou seja, não tem mais energia para viver. Aí tudo perde o sentido, a graça, a luz, as cores. E só resta o não viver. Não escolher também é uma escolha. Estamos condenados a liberdade da escolha, parafraseando a amiga que cita Sartre.

Penso nos usuários de crack: uma escolha desgraçada. Quando a droga vai deixando buracos negros no cérebro, já não se consegue mais escolher abandoná-la, por mais que se queira.

A vida segue um princípio dual: eros e Thanatos, gladiadores inconscientes.Ou os dois cachorros do ditado indígena, sempre a duelar. Cabe a nós a escolha: quem vamos alimentar para que fique forte e vença esta briga.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Circo dos horrores

Pollock:
Respeitável público:
Bem-vindos ao circo dos horrores!
Apresentamos:
- Palhaços debochados, zombeteiros do bom-senso, zunem qual "As Moscas" sartreanas nos ouvidos das pessoas de bem.
- Malabaristas estapafúrdicos levam finanças até o fim do mês.
- um paquiderme gigante, passivo, porém passional, carrega nas costas os fardos do mundo, mas ele é invisível.
- Na corda bamba, todos estão com a faca no pescoço, enquanto a fera, indomada e faminta, espreita do lado de fora da jaula.